2026 não é o começo do IBS, é o último alerta para o ISS

2026 não é o começo do IBS, é o último alerta para o ISS

Os municípios têm pouco tempo para agir sobre o que ainda controlam

Há um equívoco recorrente no debate sobre a Reforma Tributária: a percepção de que o ISS já pertence ao passado.

Não pertence — e a maioria dos gestores municipais sabe disso.

Enquanto a atenção se concentra no IBS, no Comitê Gestor e no desenho do novo sistema, corre-se o risco de subestimar o período final em que os municípios ainda exercem controle efetivo sobre sua principal fonte própria de arrecadação.

Esse intervalo não é residual. Ele é estratégico.

Oficina Fiscal em julho, no SGESP, municípios se capacitam

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O debate pode estar se deslocando no tempo

Desde a aprovação da Emenda Constitucional nº 132/2023, multiplicam-se artigos, seminários e análises sobre o futuro do sistema tributário.

Fala-se muito de 2033.
Fala-se pouco de 2026.

Esse deslocamento do debate merece atenção, porque os efeitos da Reforma não se concentram apenas no seu ponto final, mas também — e sobretudo — no percurso que leva até lá.

Tratar o período atual como uma simples “ante-sala” do novo modelo significa ignorar que decisões administrativas, omissões e fragilidades já produzem efeitos mensuráveis.

 

Bernard Appy fala sobre a transição da RT no 14.o SGESP

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O que precisa ser corretamente compreendido

Muitos gestores já reconhecem esse cenário, mas isso não elimina a necessidade de ação.

O modelo aprovado estabelece que a distribuição futura do IBS considerará históricos de arrecadação. Assim, o desempenho do ISS nos anos imediatamente anteriores e iniciais da transição tende a influenciar, de forma duradoura, a repartição futura das receitas.

Trata-se de consequência direta do desenho constitucional da Reforma.

Negligenciar o ISS neste momento não afeta apenas a arrecadação corrente. Compromete também a posição do município no novo sistema, justamente quando os instrumentos de reação deixarão de estar sob controle local.

 

Oficina da Reforma Tributária, municípios toma conhecimento da transição

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2026: o ano em que a transição ganha materialidade

Desde 1.º de janeiro de 2026, o IBS entrou em fase de teste. O ISS continua existindo, mas o contexto institucional e operacional se transforma.

✔ bases de dados se consolidam;
✔ padrões nacionais se firmam;
✔ critérios de repartição começam a ganhar materialidade.

A transição deixa de ser apenas normativa e passa a ser operacional e mensurável.

Nesse ambiente, o desempenho do ISS deixa de ser apenas um dado contábil e passa a assumir relevância estratégica para o futuro das finanças municipais.

Não se trata de aumentar imposto, mas de não perder base

É importante afirmar com clareza:
o alerta não se refere a aumento de carga tributária.

O que está em jogo é a capacidade de preservar e qualificar a base já existente:

✔ cadastro econômico defasado;
✔ prestadores de serviços fora do radar da fiscalização;
✔ notas fiscais não emitidas;
✔ base real subdimensionada.

A perda de arrecadação, nesses casos, não decorre de decisão política explícita, mas de inércia administrativa — justamente no período em que a base atual passa a influenciar o futuro.

 

Uma agenda construída de forma continuada

Ouvido nesta semana sobre o conteúdo do artigo, o presidente da ASSEFIN-SP, Adriano Luiz Leocadio, secretário de Finanças de Santos, destacou que a entidade vem tratando o tema de forma contínua e estruturada.

“A Reforma Tributária não é um assunto episódico. Ela exige acompanhamento permanente, leitura técnica e preparação concreta dos municípios, especialmente neste período de transição”, afirmou.

Segundo Adriano, a ASSEFIN-SP tem mantido esse enfoque por meio de eventos presenciais, encontros técnicos e debates especializados, nos quais o futuro do ISS e os impactos operacionais da Reforma vêm sendo analisados sob a ótica da gestão municipal e da realidade concreta das administrações locais.

Essa atuação envolve a diretoria da entidade, secretários municipais, técnicos e especialistas convidados, sempre com foco em orientação, capacitação e troca de experiências.

Ao longo do primeiro semestre de 2026, essa agenda será intensificada, com novos debates voltados à Reforma Tributária, aos critérios de adoção da Nota Fiscal de Serviços eletrônica (NFS-e) e, de forma objetiva, aos desafios da fiscalização do ISS, com destaque para o uso de inteligência fiscal, cruzamento de dados e ferramentas tecnológicas.

Os encontros previstos até o SGESP, em julho, reforçam que o alerta não é teórico. Trata-se de preparação concreta, alinhada com o momento vivido pelos municípios.

A Reforma Tributária já está em curso, e seus efeitos não começam apenas em 2033 — eles estão sendo construídos agora.

Por isso, 2026 não é o começo do IBS.
É o último grande alerta para o ISS.

 

🔹 Leitura complementar

Este artigo integra uma série editorial da ASSEFIN-SP sobre a Reforma Tributária e seus impactos na gestão municipal.

▶ Para compreender os marcos, a linha do tempo e as ações concretas da transição, acesse o artigo:
Reforma Tributária: a linha do tempo que importa para os municípios
👉 [link]

▶ A ASSEFIN-SP também disponibiliza um Guia sobre a Reforma Tributária, com orientações técnicas e institucionais para os municípios.
👉 [Guia da RT]

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