No dia 27 de julho de 2023, em Ribeirão Preto, dentro do 12.º Seminário de Gestão Pública Fazendária (SGESP), aconteceu o 24.º Encontro da ASSEFIN-SP, marcado por discussões aprofundadas sobre a Reforma Tributária e os efeitos da PEC 45/2019, aprovada na Câmara dos Deputados no início do mês. O texto, que ainda seguirá para análise no Senado, foi considerado distante do modelo ideal de reforma por lideranças fazendárias.
O presidente da Abrasf e secretário da Fazenda de Porto Alegre, Rodrigo Fantinel, destacou que o maior desafio para os municípios seria “buscar a intersecção de alguns pontos”, de modo a minimizar perdas para os entes federados. Ele relembrou que a votação na Câmara foi marcada por incertezas: “Sempre tivemos ciência de que a reforma seria em dois tempos [Câmara e Senado], mas no primeiro houve muita confusão, pois não havia texto consolidado até a véspera da votação”.
Fantinel também alertou para os riscos da indefinição da alíquota do IVA dual, estimada pelo governo em 25%, mas que, segundo estudos, poderia ultrapassar os 30%. “Uma alíquota muito alta é um grande incentivo à sonegação, o que prejudica a economia e a arrecadação dos municípios”, avaliou. Ele defendeu ainda a necessidade de maior integração e fortalecimento das administrações tributárias: “A complexidade para fiscalizar o IVA será idêntica para União, estados e municípios. Para funcionar, será essencial uma fiscalização coordenada”.
O diretor interinstitucional da Abrasf e secretário de Finanças de João Pessoa, Brunno Sitônio, que atuou como moderador da mesa, reforçou que o debate no Senado tende a ser mais produtivo. “Estamos falando de uma reforma que vai afetar toda a economia, o dia a dia do cidadão e das administrações públicas. É um tema que não pode ser decidido em 48 horas”, afirmou.
Durante o encontro, representantes da Frente Nacional de Prefeitos (FNP) e da Abrasf também relembraram que apresentaram pacotes de propostas diretamente ao presidente da Câmara, Arthur Lira, embora grande parte dos pleitos não tenha sido acolhida. A expectativa, segundo Fantinel, é que, nesta nova fase, os municípios consigam “empatar o jogo” no Senado, defendendo melhorias no texto e evitando retrocessos.
O 24.º Encontro da ASSEFIN-SP reafirmou a disposição da entidade em acompanhar de perto o andamento da Reforma Tributária, promovendo articulação com parceiros institucionais e mantendo o compromisso de defender um sistema mais justo, simples e favorável às administrações municipais.
by João Petrasso - estagiário
estudante de jornalismo
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